Reduzir o setup para libertar a capacidade que já existia
Uma linha de usinagem perdia horas por dia em trocas de ferramenta. O gargalo não era a máquina — era o método.
Case ilustrativo. Estrutura definitiva já aplicada; o conteúdo será substituído por um projeto real mediante autorização da empresa envolvida.
- -62%tempo médio de setup
- +18%disponibilidade da linha
- 0investimento em máquina nova

- Desafio
Qual era o problema?
A empresa considerava comprar mais um centro de usinagem para dar conta da demanda. A linha vivia atrasada e o time de produção pedia investimento.
- Diagnóstico
O que foi identificado?
A observação direta de dez trocas mostrou que menos de um terço do tempo de setup era realmente interno — o resto era procura de ferramenta, ajuste por tentativa e espera por liberação da qualidade.
- Intervenção
O que foi feito?
Aplicação de SMED com o próprio time: separação entre setup interno e externo, kit de ferramentas preparado no posto, padrão de ajuste com valores definidos e checagem da primeira peça pelo operador.
- Resultado
O que mudou?
O tempo médio de troca caiu de 74 para 28 minutos. A capacidade liberada absorveu a demanda sem a compra do equipamento.
- Lição
O que outras empresas podem aprender?
Antes de investir em capacidade, vale medir quanto da capacidade atual está sendo desperdiçada. Quase sempre a máquina que falta já está no chão de fábrica.
O contexto
A linha operava três turnos e ainda assim entregava com atraso. A leitura interna era simples e comum: falta capacidade, logo falta máquina. A proposta de investimento já estava em análise quando começamos pelo caminho mais barato — ir ver.
O que a observação mostrou
Acompanhamos dez trocas completas, cronômetro na mão, registrando cada movimento do operador. O resultado contrariou a percepção do time:
- 31% do tempo era operação de troca propriamente dita;
- 26% era procura e transporte de ferramental;
- 28% era ajuste por tentativa e erro, sem valor de referência;
- 15% era espera pela liberação da primeira peça.
Ou seja: dois terços do setup podiam ser eliminados ou feitos com a máquina rodando.
A intervenção
O trabalho foi conduzido com os operadores, não sobre eles. Em quatro semanas:
- Separação rigorosa entre o que pode ser feito com a máquina em operação (setup externo) e o que exige a máquina parada (setup interno).
- Carrinho de setup com o ferramental do próximo pedido montado durante a produção do pedido atual.
- Padronização dos valores de ajuste — o que era “no olho” virou número escrito no padrão.
- Autonomia do operador para liberar a primeira peça, com dispositivo de verificação simples.
O resultado
O tempo médio de troca caiu de 74 para 28 minutos, com o pico de melhoria vindo do item mais barato da lista: preparar o ferramental antes. A capacidade liberada foi suficiente para absorver a demanda, e o investimento no equipamento novo foi adiado indefinidamente.
A lição para outras empresas
Capacidade não é só o que a máquina consegue fazer — é o que a máquina consegue fazer no tempo em que está disponível. Quando a operação pede investimento, a primeira pergunta útil raramente é “quanto custa a máquina”, e sim “quanto da nossa capacidade atual está indo embora todo dia?”.
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